quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Lendas de Sinktra- Crônica#1 - Maldição Fraterna.




O K'ehtrak seguia sem parada pelas paisagens geladas do continente de Ahsurdira.

     

      Ele não se permitia descansar, o peso que trazia sobre os ombros era demais para que ele sequer cogitasse fazer alguma parada, além das que sua montaria precisasse, é claro.

 

      Por isso, ao encontrar uma clareira em meio a uma pequena área florestal, com um raro lago não congelado e sentindo o resfolegar de Xadrizar, após uma conferência rápida em um pequeno aparelho localizador, o K'ehtrak achou por bem fazer uma breve pausa.

 

      - Beba meu amigo... – ele saltou das costas da criatura quadrúpede e musculosa, de pele acinzentada e com manchas azuladas, que emitiam um leve brilho, indicando sua felicidade, conforme saciava sua sede. – Em breve iremos encontrar nosso... Alvo... Daí...

 

      Ele silenciou de repente, seguiu até uma árvore próxima e sentou-se, apoiando as costas no tronco, relaxou e, como sempre, assim que fazia uma pausa, a mente se permitia divagar, deixando-o ainda mais melancólico do que de costume, se perdendo em pensamentos, conforme observava atentamente às Japaktac, as típicas árvores daquela região, mais afastada dos centros urbanos, com seus troncos e galhos retorcidos e folhas que mais pareciam pequenas agulhas azuladas.

 

      - Kamel'dak! Onde está você?

 

      Quando a matriarca da família falava o nome inteiro de um dos filhos, a criança já sabia o que vinha pela frente, então tratava de atender logo o chamado, antes de ter seu nome evocado uma segunda vez, tentando estar preparado para toda e qualquer descoberta de traquinagem, com uma resposta e uma desculpa igualmente prontas.

 

      - Mãe... A culpa foi do Dak’talum e... - o pequeno parou de falar assim que viu as expressão de sua mãe e do irmão, um ano mais velho, conforme ele entrava na sala da casa. - O que está acontecendo?

 

      - Venha cá filho... - era possível perceber os cantos dos quatro olhos brilhando com lágrimas que insistiam em cair. - Preciso falar com vocês dois... Chegou a hora...

 

      A conversa não foi fácil, mesmo com todos sabendo na inevitabilidade do que estava ocorrendo, era impossível laços tão fortes como o de uma mãe e sua prole serem partidos ou deixados facilmente de lado.

 

      Mesmo assim quando a Ordem de Aktron convocava um ahsurdirai não existia nada que o isentasse de se apresentar.

 

      Guerreiros poderosos, os K'ehtrakes eram responsáveis por manter em equilíbrio toda a sociedade, vencendo e destruindo toda e qualquer fonte de malefícios ou ameaças, sendo treinados desde a mais tenra infância para atingir o máximo de suas capacidades físicas, mentais e espirituais.

 

      O primeiro passo era ser levado da família e ficar confinado numa das sedes da Ordem por vários korh para que suas habilidades fossem descobertas, desenvolvidas e, caso se mostrassem promissores, cada aprendiz recebia konras especiais, capazes de formar uma armadura única, com cores especiais que o acompanhariam até a morte, sendo enviado em seguida para a região que ficaria sob sua responsabilidade.

 

      A imagem de sua mãe ficando para trás, conforme os representantes de Aktron levavam os irmãos, nunca saiu da mente de Kamel’dak.

 

      O guerreiro despertou de um cochilo indesejável, porém, extremamente necessário, levando a mão, como sempre fazia ao despertar de lembranças disfarçadas de sonhos, ao tecido que ele trazia ao redor do pescoço.

 

      Era algo que sempre o ajudava a se acalmar e recuperar o foco.

 

      Quando ele resolveu retomar a caçada, ao longe, conseguiu ver uma coluna de fumaça subindo aos céus e, sabendo exatamente do que se tratava, subiu rapidamente nas costas de sua montaria.

 

      - Xadrizar! - assim que o K'ehtrak se acomodou, a pele, carne e músculos da criatura alteraram sua forma para se adaptar ao corpo do guerreiro impedindo assim que ele caísse. - Siga tão rápido quanto o vento!

 

      A dupla então arrancou velozmente, as garras do quan’ra iam arrancando chumaços de neve do chão conforme ele corria, até levantando uma pequena trilha enevoada atrás de si e Kamel’dak fez as lentes pretas de seu capacete se fecharem, dessa forma os ventos gelados, mais intensos por causa da velocidade de deslocamento deles, não conseguiriam ferir seus olhos.

 

      A coluna de fumaça foi aumentando e logo ele percebeu seu local de origem como sendo a orla da Floresta Lashimy, exatamente onde ficava uma base avançada do povo na-gen, locais espalhados para proteger a cidade de Nezondak, onde vive o povo árvore.

 

      Quando finalmente alcançou o posto de guarda, o que normalmente só seria permitido após sobreviver aos ataques dos guardiões Maahne, e suas lanças capazes de partir, facilmente, um valpak ao meio, Kamel’dak só encontrou morte.

 

      Era impressionante e assustador tamanho massacre, o K'ehtrak caminhava por entre os corpos retalhados, lembrando das várias vezes em que havia enfrentado os na-gen, sobrevivendo sempre por pouco, devido às incomuns capacidades de luta deles.

 

      Ainda assim sua presa parecia ter passado por todos os guardiões dali com uma facilidade assombrosa, mostrando o quanto a maldição o havia consumido.

 

      O tempo realmente estava contra ele.

 

      - O que houve amigo? - ao perceber que Xadrizar estava movendo a cabeça para os lados, como se procurasse algo, o guerreiro apurou a audição. - Você é incrível mesmo...

     

      Ele tocou sua fronte na do companheiro, ao contrário de outros K'ehtrakes, ele jamais viu Xadrizar apenas como um animal ou montaria e ambos fecharam os olhos múltiplos, entrando em total sintonia.

 

      Sem aviso algum a ligação foi interrompida, com Kamel'dak se voltando para trás a tempo de interceptar uma lança que vinha na direção de seu peito, segurando a arma a poucos centímetros do exato local onde ficava o zactar, o órgão vital dos ahsurdirai.

 

      Um ataque típico de um na-gen.

 

      O K'ehtrak foi caminhando lentamente, usando a própria arma que fora lançada primeiro para desviar outros projéteis, que iam diminuindo de tamanho e velocidade conforme ele se aproximava de algo que, à primeira vista, parecia apenas um amontoado de galhos e troncos.

 

      - Por K'ehlari... - clamando pela deusa dos ventos gélidos, o guerreiro se abaixou, afastando grandes pedaços de madeira, deixando à mostra um rosto em meio àquela bagunça. - Você consegue falar?

 

      A resposta foi apenas uma tosse seca, seguida do sangue grosso e espesso escorrendo do canto da boca do na-gen caído, o que fez Kamel'dak procurar de imediato os ferimentos que ele tinha, afastando alguns outros galhos.

 

      Várias vezes ele tinha as mãos afastadas, pois ficar em meio a plantas era a forma mais comum com que os na-gen se curavam e, ao ver um valpak agindo daquela forma, era óbvio que se tratava de um inimigo querendo se aproveitar do momento de fragilidade.

 

      Sem falar nada, sabendo da urgência que os ferimentos pediam, Kamel'dak resolveu apenas agir, afastando as mãos que tentavam atacá-lo, conforme ele pegava, nos compartimentos de seu cinto, pequenas bolsas que continham um líquido prateado.

 

      Ele cobriu os ferimentos e o alívio quase imediato da dor acalmou o ferido Maahne, que finalmente perdeu os sentidos.

 

      Após um tempo indeterminado, o na-gen despertou, percebeu que o sol prateado já havia sumido no horizonte e agora o céu escuro estava tomado pela imagem das três luas.

 

      Os ferimentos mortais estavam totalmente fechados e a única lembrança deles era um leve incômodo que se espalhava por todo seu corpo a cada movimento.

 

      A mente trouxe de volta os últimos acontecimentos, se iniciando com o valpak que seus companheiros haviam visto se aproximar, mãos abertas e afastadas do corpo, um sinal claro de aproximação pacífica.

 

      O inferno se abateu sobre eles quando, após caminhar lenta e calmamente até o centro do posto de guarda, o invasor começou a convulsionar.

 

      Os Maahne se aproximaram, sem entender exatamente o que estava acontecendo e quando se aproximaram, uma explosão de luz os jogou longe e, enquanto ainda estavam com a visão ofuscada, o massacre teve início.

 

      Não foi possível nem mesmo um vislumbre do atacante, tamanha era sua velocidade que os guardiões pareciam cair sozinhos, após um flash luminoso surgir diante de cada um.

 

      O único sobrevivente só conseguiu escapar pois estava no arsenal do posto, conseguindo, assim chegar ao local da luta com, ao menos, sua armadura biológica devidamente acionada, e uma twiey, a típica lança que cresce do escudo do ante braço dos na-gen, empunhada diante do corpo.

 

      Mesmo assim o invasor passou pelo inimigo, deixando-o entre a vida e a morte, depois de usar lâminas afiadas para, não apenas partir a lâmina da arma em duas, mas para abrir vários ferimentos por todo o corpo do Maahne, que foi descartado depois de conseguir, ao menos, causar um pouco de dano, atingindo-o com seus poderes.

 

      Logo em seguida, no entanto, com uma ferocidade ainda maior, o invasor atacou e, acreditando ter matado o último dos inimigos, seguiu seu caminho.

 

      Ele realmente teria alcançado seu objetivo, não fosse a chegada de outro invasor.

 

      - A ideia de fingir que ainda está desacordado é muito boa, mas já está manjado... Então... Vai ficar muito tempo aí parado?

 

      - Parada... - tendo seu ardil descoberto, não restou muitas opções para a na-gen a não ser se levantar, aprumando o corpo e ficando de frente para o K'ehtrak. - Sei que os valpaks são ruins de vista, mesmo tendo quatro olhos, mas você poderia, ao menos, fingir sua ignorância sobre meu povo...

 

      - Certo... Se você está bem o suficiente para responder assim para alguém que tentou te ajudar, acho que posso seguir o meu caminho e...

 

      Num movimento extremamente rápido os dois sacaram suas armas, Kamel’dak fazendo surgir suas ronns, armas disparadoras de energia, em resposta a na-gen com sua twiey.

 

      - Trouxe esses brinquedos para uma luta de verdade?

 

      Sem dizer nada Kamel’dak moveu uma das mãos na direção de um amontoado próximo de neve.

 

      Uma camada de energia multicolorida envolveu o punho onde flutuavam as duas peças de metal ornamentadas, que formavam o corpo da arma do K'ehtrak.

 

      No instante seguinte uma esfera de energia foi disparada contra a neve, aumentando de tamanho conforme avançava, causando uma explosão que resultou numa profunda cratera perfeitamente circular no chão.

 

      Ainda em silêncio ele voltou sua arma para frente, a lente do capacete deslizou, revelando um sorriso enviesado no rosto.

 

      - Thar'wonella...

 

      - Como?

 

      - É o meu nome... - ela então abaixou as mãos, fazendo sua arma retroceder para dentro da placa de madeira que protegia as costas de seu antebraço. - Sou a Maahne Thar'wonella...

 

      - Certo... Eu... Não conheci muitos na-gen... Não imaginei que uma... Hã... Poderia ser... Eu...

 

      - Sou uma guerreira. - acostumada com a estranheza que causava em seres de outras raças, Thar'wonella cruzava os imensos braços diante do peito. - Não uma princesinha... Por isso, quando decidi ser uma Maahne, escolhi a melhor configuração corporal para combates...

 

      - Entendo... - após alguns instantes de silêncio, o guerreiro pareceu lembrar que o tempo urgia. - Meu nome é Kamel’dak e estou em uma missão pessoal deveras importante, por isso, se não precisar mais da minha assistência...

 

      - Eu vou com você.

     

      - Como é?

 

      - Apesar daquele monstro ter, primeiro, se apresentado como um de vocês e só depois nos atacar, dá prá ver nos seus olhos, em todos eles, que você não um aliado dele... Muito pelo contrário... Você está numa caçada... E é pessoal não é?

 

      Surpreso com a perspicácia da na-gen, principalmente por tal característica desmentir muito do que lhe havia sido ensinado sobre tal povo, Kamel’dak ficou alguns minutos em silêncio para só então contar sobre a situação.

 

      Enquanto falava sua mente se transportava para o passado recente.

 

      Muito tempo havia se passado desde que os irmãos Kamel’dak e Dak’talum foram levados para a Ordem de Aktron, ordenados como K'ehtrakes e, fora poucas missões em que seus caminhos haviam se cruzado brevemente, naquela manhã eles finalmente estavam num mesmo lugar.

 

      Diante do túmulo de sua mãe.

 

      - Ouvi falar do que você fez na batalha de Rimenedrax irmãozinho... Impressionante!

 

      - Suas histórias têm chamado a atenção também DaK...

 

      Mais silêncio, mesmo tendo sido tão amigos na mais tenra infância, agora era como se fossem desconhecidos, sem saber ao certo o que dizer e fazer.

 

      - Algum... Sinal de... Você sabe...

 

      - Tudo sob controle... - Ao perceber o aumento do incômodo na fala do irmão, bem como em sua postura corporal, Kamel’dak percebeu o que não queria. - E você irmão... Você está bem?

 

      Dak’talum abaixou a cabeça na direção de onde o corpo de sua mãe mantinha-se num Tosla, um campo energético de decomposição, onde seria em pouco tempo devidamente reunida à matriz energética do planeta.

 

      Ele suspirou várias vezes antes de finalmente tomar coragem.

 

      - Não irmão... Faz um tempo que estou exibindo os primeiros sintomas... Igual ao nosso pai... Desde que Elarawon e Pryna se foram...

 

      A revelação foi dita de uma só vez, quase sem pausas até para respirar e caiu entre os irmãos com um impacto gigantesco, pois ambos sabiam bem como o pai morrera, toda a dor e agonia pela qual ele passou.

 

      E, pior, toda a dor que ele causou.

 

      E agora Dak’tallun, que havia perdido recentemente e de forma trágica sua mulher e filha, estava no mesmo caminho.

 

      - Tallun... Eu... Nós... Devemos partir agora mesmo e...

 

      - Calma... Vamos planejar tudo com calma, daí poderemos sair... - o guerreiro tentava esboçar um sorriso. - Só me prometa uma coisa irmãozinho... Que, quando chegar a hora, você não hesitará em me conceder a paz, encerrando esse tormento de vez.

 

      Mais uma vez palavras não precisaram ser ditas.

 

      Os irmãos se aproximaram, tocaram as frontes, o que bastava para que um pacto fosse ali firmado, depois começaram os preparativos para a viagem que fariam, buscando uma cura.

 

      Falhar não era uma possibilidade.

 

      - Ele... - totalmente envolvia na narrativa Thar'wonella mal encontrou voz para questionar. - Está doente?

 

- Nós chamamos de Thon’hatri... Uma maldição que atinge os filhos de minha casa, um tipo de monstro que trazemos na Ra’ki e que, quando perdemos o controle das emoções, ou passamos por alguma situação extrema, se liberta e espalha caos e morte... - o guerreiro olhava para o Horizonte, onde era possível ver a montanha Duk’ja, onde sua jornada encontraria o fim. - Meu pai nos contou que certa vez um sábio disse ao pai de seu pai que, se a vítima da maldição conseguir alcançar o topo da Montanha Duk’ja, se for digno, poderá ser curado antes de perder totalmente o controle... Mas algo sempre nos impede de chegar perto da montanha enquanto a maldição ainda não estiver ativa...

 

- E, quando ela se ativa... O que acontece se não subir a Duk'ja a tempo?

 

- Quando não se chega lá... É como se algo tomasse nossas mentes, nos "empurrando" para a montanha, destruindo tudo no caminho, alternando na nossa forma original e a do monstro... E quando o monstro finalmente assume... - como sempre, tal assunto acabava desenterrando lembranças terríveis para Kamel’dak. -  Somente um parente consegue fazer o amaldiçoado encontrar a paz... Foi assim com meu pai e, se eu não o alcançar e ajudar, será assim com meu irmão.

 

- E se você não conseguir? Digo... Se não conseguir... Livrá-lo... - Thar'wonella sentia o corpo retesando, dependendo da resposta do outro, ela sabia que teria de lutar para alcançar a justiça por seus irmãos caídos de um jeito ou de outro. - Você tem algum outro parente ou algo assim para assumir tal missão?

 

- Na verdade... - o guerreiro se forçou um sorriso desanimado. - Eu estava contando só com o Xadrizar aqui para fazer o que eu talvez não consiga... Mas se você realmente quiser vir junto, as chance serão ainda maiores... Pelo menos... De descobrirmos se é verdade que apenas o mesmo sangue da vítima do Thon’hatri pode abatê-lo... Isso, claro, se você aceitar nos acompanhar... O que me diz?

 

A Maahne respondeu quando ajeitou o corpo, fez sua twiey saltar e voltar para a placa de proteção de seu braço, conferindo assim se sua arma estava funcionando corretamente, fez uma série de desenhos azulados surgirem por sua pele de casca de árvore e só então se colocou ao lado do K'ehtrak, conforme ele montava no quan’ra.

 

Não era necessária nenhuma palavra a mais.

 

- Dak’tallun está com, pelo menos, dois dias de vantagem... Mas Xadrizar é muito rápido... Acha que consegue acompanhar?

 

- Você nunca viu uma na-gen correndo não é?

 

De repente, sob os imensos pés da guardiã o solo e a neve se abriram, dando passagem para pequenos galhos retorcidos que a ergueram a alguns centímetros do solo e logo, numa velocidade absurda, era como se ela flutuasse, Thar'wonella partiu em disparada na direção de onde Dak’tallun provavelmente havia seguido.

 

- Olha só... - Kamel’dak se abaixou e fez um carinho nas costas de Xadrizar. - Vamos deixar assim?

 

Em segundos o K'ehtrak e sua montaria já havia alcançado a nova e inesperada companheira e os três seguiam a toda velocidade na direção da montanha Duk’ja.

 

- E desde quando ele está indo para lá?!

 

O assobio do vento, normalmente já era alto naquela região, somado então ao modo como eles se deslocavam, tornava obrigatório gritarem para que conseguissem conversar.

 

Ainda assim Kamel’dak conseguiu explicar que, pouco antes de partirem juntos em missão, alguns inimigos antigos, que ele não podia imaginar como sabiam da condição de Dak'tallum, atacaram e, no meio da batalha, o monstro surgiu pela primeira vez.

 

Quando a luta acabou, o Thon’hatri já havia partido.

 

O K'ehtrak seguiu seu irmão, tentando impedi-lo ou, ao menos, afastar inocentes de seu caminho até que conseguisse contê-lo e o lavar em segurança até a Duk’ja, mas falhou algumas vezes em alcança-lo, como aconteceu com o posto de guarda na-gen que estava no caminho do monstro.

 

Kamel'dak sabia que todas aquelas mortes seriam um fardo que ele carregaria por toda a vida.

 

Mesmo assim ele precisava alcançar Dak’talum e tentar descobrir se sua alma poderia ser salva, antes de encerrar sua dor de uma vez por todas, e talvez, apenas talvez, descobrir um modo de evitar que a maldição o atingisse também.

 

Motivos não faltavam para que ele, com alguns toques nas costas de Xadrizar, pedisse para que sua montaria se apressasse.

 

Os guerreiros de raças diferentes, quase sempre em conflito, correram lado a lado, algo praticamente impossível de se ver, movidos pela urgência, de uma justa retribuição e de um fio de esperança em mudar o próprio destino.

 

Eles poderiam ter alcançado sua presa mais cedo, mas justamente o próprio destino tinha outros planos.

 

Em seu caminho, não muito à frente, era possível ver algo que destoava da paisagem, não parecia algum trecho de árvores, nem de formações rochosas.

 

Assim que chegaram ao local a verdade se revelou.

 

Aquele monte de destroços, um dia, fora um acampamento Melgashi, um povo nômade que se dividia em vários grupos, vagando por todo o continente de Ahsurdira.

 

        Agora é só mais um local de morte e destruição.

 

- Você percebeu também K'ehtrak?

 

- Sim, a forma da destruição sugere que ele apenas seguiu reto pelo local, sem parar ou sequer desviar, o raio de destruição ao seu redor já está imensurável...

 

- E você sabe também que precisamos seguir em frente não é?

 

- Claro que sei... - enquanto dizia aquilo, Kamel’dak ia descendo de Xadrizar. - Assim como sei que não posso permitir ainda mais  mortes de inocentes pelas mãos do meu irmão, esteja ele ou não no controle de suas ações... Agora me ajuda aqui...

 

Enquanto Thar'wonella usou sua arma como apoio, o K'ehtrak amarrou cordas no tronco de Xadrizar que, seguindo um comando específico, começou a puxar os destroços o suficiente para dar passagem para alguns sobreviventes.

 

Aqueles que não estavam muito feridos, assim que se recuperavam um pouco do trauma, se colocaram a auxiliar seus salvadores a preparar uma das poucas construções ainda de pé, para abrigar aqueles em estado mais grave.

 

- Eu agradeço a ajuda meus amigos... - o ancião e líder dos Melgashi se aproximava dos guerreiros, que terminavam de reforçar uma das paredes do abrigo provisório. - Se não fosse vocês... Lakjadanga seja louvada por colocar vocês em nosso caminho...

 

- Eu consegui entrar em contato com a sede da ordem de Aktron em Vakichen... - Kamel’dak não diminuía o ritmo do que estava fazendo, ajudando a escorar paredes, separar mantimentos e até mesmo ajudar com alguns ferimentos mais simples. - A capital enviará ajuda, deve demorar poucas horas... Mas vocês aguentarão bem até lá... Minha companheira e eu precisamos seguir nosso caminho...

 

- Que a deusa os guie e ilumine seu caminho...

 

Assim que tiveram certeza de que os Melgashi estariam protegidos, Kamel’dak, Xadrizar e Thar'wonella se colocaram a seguir o que restara do rastro de Dak’tallun.

 

No horizonte despontava a misteriosa montanha Duk’ja, cercada por nuvens pesadas de tempestade, um presságio do que os esperava, aumentando suas preocupações conforme se aproximavam de seu alvo.

 

O céu assumiu um tom escuro de verde, descargas de energia percorriam o ar, deixando-o ionizado, no imenso descampado por onde corriam, não havia lugar algum para se abrigarem.

 

Sem outra escolha, seguiram em frente.

 

O vento aumentava gradativamente, dificultando até que eles permanecessem de pé em alguns momentos.

 

Ainda assim avançavam.

 

Nenhum dos três dava sinais de cansaço, nem de que desistiriam.

 

Um laço de respeito mútuo ia nascendo.

 

E eles avançavam.

 

Logo a tempestade começou, primeiro com pequenos flocos acinzentados que iniciaram uma queda da temperatura e conforme iam se transformando em pequenas pedras de gelo, Kamel’dak se viu forçado a fechar o visor de seu capacete e reforçar as proteções internas da armadura, ficando impressionado novamente com a tenacidade de Thar'wonella, que seguia com a mesma velocidade de quando o tempo estava limpo.

 

- Ali! - E foi ela quem o viu primeiro. - Conseguimos!

 

Era possível ver ao longe a silhueta de Dak’talum recortada contra a visão impressionante da montanha Duk’ja, um dos lugares mais misteriosos de Ahsudira.

 

O topo da montanha estava sempre oculto por uma área de ventos inclementes, repletos de espíritos errantes alguns diziam, outros juravam que tal fenômeno ocorria devido apenas a um bizarro fator climático.

 

Ninguém que passara pela Rhenzac, como era chamada a barreira da ventos, retornou, o que aumentava ainda mais os mistérios acerca da Duk’ja.

 

Dak’talum permanecia parado de costas para seus perseguidores, de joelhos enterrados na neve acinzentada, os olhos fixados na mítica montanha à sua frente, se percebeu a aproximação dos guerreiros, não deu sinal algum.

 

As mãos alternavam entre apertar o alto da cabeça ou a região abdominal, a agonia estampada no modo como se mexia.

 

- Por favor... – era visível o mal estar que afligia Kamel'dak, ao se aproximar da montanha sem ter sua maldição ativada. - Deixe que eu encerre essa situação... Se houver uma chance de salvá-lo, ainda que pequena, eu preciso tentar...

 

Silêncio foi a única resposta da na-gen, que mantinha seu olhar fixo nas costas do responsável pela morte de seus companheiros, sua arma tremendo levemente, pronta para ser lançada.

 

- Thar'wonella...

 

- Tudo bem! Tudo bem! - a guerreira, de forma inconsciente, manteve os punhos cerrados e sua twiey empunhada. - Eu só vou me envolver caso perceba que você está perdendo... E nem venha falando que só posso atacar depois que você morrer... Isso não vai acontecer.

 

- Conto com você para que eu saia vivo daqui... - ele sorriu, depois encostou sua fronte da de Xandrizar, deixando claro que ele também não devia se envolver e só então se dirigiu para onde seu irmão permanecia imóvel. - Até mais...

 

A na-gen e o quan’ra, ainda que contrariados, permaneceram no lugar e, pouco a pouco, acabaram se aproximando um do outro, devido à queda da temperatura.

 

Mesmo seres tão fortes e adaptados àquela temperatura, podiam querer se aquecer.

 

- Então... Ainda é você Dak’talum?

 

- Por pouco tempo... Irmãozinho... - cada palavra era como uma lâmina cravada em seu corpo. - Eu... Sinto muito por você ter que passar por isso... De novo...

 

- Você está comigo Talum... - o guerreiro então passou um dos braços de seu irmão mais velho por sobre seu ombro. - E chegamos muito mais longe do que o pai... Vamos lá! Nem que eu te leve arrastado e morra para fazer isso... Mas, ainda assim, vou fazer de tudo para alcançarmos o cume da Duk’ja... Por isso... Anda!

 

O guerreiro amaldiçoado parecia pesar uma tonelada, mas Kamel’dak não o abandonaria, mesmo sentindo como se o interior de seu próprio corpo estivesse em chamas, por isso cerrou os dentes e se colocou a caminhar.

 

Cada passo era conquistado, literalmente com sangue e suor, enquanto Dak’talum sentia a pele se rasgando, chegando a cuspir o líquido arroxeado das veias que estouravam dentro de seu corpo, o irmão mais jovem suava em profusão tentando carregá-lo.

 

- Eu... - os três olhos que o guerreiro mais velho ainda tinha, um ele havia perdido anos atrás, agora exibiam globos oculares totalmente esbranquiçados. - Não... Aguento...

 

- Aguenta sim! Continua andando!

 

Foi então que ocorreu a primeira queda.

 

Os dois jogaram neve para longe, mas mesmo com uma dificuldade imensa, indo contra todo e qualquer bom senso, Kamel’dak conseguiu se erguer e, quase colocando seu irmão sobre seus ombros, voltou a caminhar.

 

O inevitável então, finalmente aconteceu.

 

Dak’talum firmou os pés, agora o sangue escorria farto de vários cortes que iam surgindo por todo seu corpo, inclusive da boca, olhos e nariz.

 

Ele então agarrou o ombro de seu irmão e, mostrando uma força impressionante, o jogou longe, conforme caía novamente de joelhos, agora urrando de dor, conforme seu corpo sofria violentas convulsões, dando a impressão de que havia algo ali dentro tentando escapar.

 

O som de carne sendo rasgada se sobrepôs aos gritos de dor e ao uivo dos ventos, que iam aumentando ainda mais, conforme o céu agora disparava doloridas e imensas pedras de gelo, e logo foi acompanhado de ossos quebrando, músculos sendo partidos e reconstruídos.

 

Dak’talum chamou pelo nome do irmão uma última vez, enquanto a luz que vinha das fendas abertas em seu corpo começava a transbordar, forçando os presentes a desviarem o olhar por alguns instantes.

 

- Kamel'dak!

 

Antes que pudesse sequer pensar em se defender Kamel’dak levou um golpe na altura do peito, que quase lhe quebrou os ossos dali, terminando por cair violentamente sobre algumas formações rochosas que estavam cobertas de neve.

 

Quando finalmente conseguiu focar a visão, diante dele estava o monstro resultante do Thon’hatri de seu irmão.

 

Ele podia alternar entre bípede e quadrúpede, sendo que suas pernas eram pequenas e atarracadas, mal suportando o peso do corpo musculoso. Dos braços imensos brotavam lâminas de aspecto rochoso, mas brancas, tão brancas quanto a luz que emanava através de dezenas de cicatrizes ao longo da pele.

 

Seus olhos brilhavam, deixando sua face animalesca ainda mais ameaçadora, a respiração era pesada e barulhenta, ameaçadora de uma forma que faria o mais corajoso dos guerreiros, ao menos, hesitar, o que seria fatal.

 

Thar'wonella chegou a dar um passo para frente, com sua arma empunhada, pronta parta dar assistência ao seu novo companheiro, mas Xadrizar ergueu uma de suas patas, colocando-a na frente da na-gen, que apenas piscou, preparando uma bronca para o animal, mas assim que ela voltou a olhar para frente se surpreendeu.

 

Quando o Thon’hatri avançou atacando com sua imensa garra na direção do inimigo caído, criou uma cratera devido à força do impacto, erguendo também uma nuvem feita de neve, que já havia se acumulado e formado uma grossa camada sob seus pés.

 

Assim que a nuvem se dissipou, o monstro olhou para onde esperava estar o corpo dilacerado do K'ehtrak, mas só viu o estrago que fizera ao solo do lugar atingido.

 

Sem ser esperado, Kamel’dak surgiu pelas costas do monstro, acertando-o com um potente soco na nuca, que o fez urrar de dor e dar alguns passos para frente, numa tentativa de ganhar tempo para se recuperar.

 

Tentativa vã, pois no instante seguinte o guerreiro surgiu diante da fera, acertando-o no queixo com outro soco, dessa vez derrubando-o sobre um aglomerado de pedras próximo.

 

O Thon’hatri se recuperou rápido, conseguindo acertar o oponente com suas garras, destruindo a ombreira esquerda da armadura e jogando-o para longe, ganhando assim um tempo para recuperar o fôlego.

 

Foi uma pausa curta no entanto.

 

Kamel’dak empertigou o corpo e se concentrou, fazendo com que os Konras, os seres microscópios que geravam seu uniforme, consertassem o estrago da armadura e enquanto isso uma decisão foi tomada.

 

Thar'wonella se perguntava pela centésima vez por que aquele valpak louco não fazia suas armas surgirem para usá-las contra o monstro, fosse ou não seu irmão.

 

Finalmente iria descobrir o motivo.

 

- Lamento irmão... - a mente do guerreiro voltou no tempo momentaneamente e a lembrança de seu pai o atingiu como um soco. - Eu...

 

A frase morreu na garganta do guerreiro ao cerrar os dentes para se concentrar, fazendo com que sua armadura, pouco a pouco, fosse desfazendo suas luvas e mangas, deixando seus braços à vista.

 

Os três dedos abriram e fecharam algumas vezes, o visor do capacete se fechou e padrões de desenhos surgiram sobre a área de seus quatro olhos, começando a emitir uma luz azulada.

 

Os braços desnudos também começaram a brilhar, até ficarem totalmente encobertos pela energia, que aumentou de intensidade até formar algo como chamas azuladas.

 

- Lar... Tak!

 

Assim que proferiu as palavras que terminavam de acionar sua transformação, que resultou numa expansão de energia que afastou violentamente tudo o que havia ao seu redor, Kamel’dak partiu para o ataque, deixando profundas pegadas na neve para trás, era como se até mesmo seu peso tivesse aumentado, mas mesmo assim ele conseguia se mover numa velocidade absurda.

 

O K'ehtrak cobriu os metros que o separavam do monstro em segundos, desferindo um soco direto contra seu peito que foi defendido com velocidade parelha.

 

Ainda assim os efeitos do golpe foram sentidos uma vez que ao redor do local atingido, várias protuberâncias de gelo abriram caminho violentamente para fora do braço do Thon’hatri, num espetáculo grotesco de sangue jorrando e tingindo de roxo a neve ao redor dos dois combatentes.

 

O monstro finalmente conheceu o medo, sentindo arrefecer o instinto de destruir tudo ao redor pela primeira vez, percebendo, afinal, que poderia realmente ser destruído.

 

O sentimento perdurou por alguns instantes, causando uma brecha que foi aproveitada por Kamil’dak, que avançou mais uma vez, desferindo outros socos, que foram evitados graças a uma agilidade sobrenatural.

 

Havia, com certeza, resquícios de Dak’talum ainda existiam ali, o que ficou claro quando seu irmão percebeu o modo como o monstro estava se defendendo.

 

        Eram os mesmos movimentos do ex K'ehtrak.

 

O guerreiro foi atingido no flanco direito, sendo jogado longe, quicando várias vezes no chão até finalmente parar e antes que pudesse se erguer, precisou rolar para o lado, pois o monstro já avançava a toda velocidade, pretendendo acertá-lo pelas costas.

 

O guerreiro escapou por pouco, sentindo todo o peso do que precisava fazer, mas que ainda não aceitava.

 

Não outra vez.

 

Não como com o seu pai.

 

Kamel’dak ficou em pé com um salto, fechou os punhos, preparou outro golpe, as energias que emanavam dele pareciam aumentar mais e mais.

 

Era impossível ver, graças ao capacete que ele usava, mas o guerreiro chorava, após finalmente decidir que não havia outra escolha, que deveria encerrar aquela luta.

 

O monstro atacou outra vez, erguendo o braço que não estava inutilizado, mas antes de conseguir desferir o golpe, Kamel’dak avançou, se posicionando diante do peito daquele que fora seu irmão.

 

- Dak’talum!

 

O grito ecoou pela noite, marcando a despedida dos dois irmãos, os olhares se encontrando brevemente, as ra´ki parecendo entrar em sintonia, conforme Kamel’dak desferia seu soco, de baixo para cima, atingindo seu irmão, que se forçou a conter qualquer tentativa de ataque ou defesa, sendo atingido bem no meio do estômago.

 

Agora imensas estacas de gelo se espalharam por todo o corpo do monstro, causando extensos ferimentos e prendendo-o num esquife repleto de pontas.

 

Pouco a pouco o brilho dos olhos e das cicatrizes do Thon’hatri foram se apagando.

 

E assim terminou a vida do guerreiro Dak’talum.

 

XXX

 

- Finalmente está acordando...

 

Primeiro Kamel’dak ouviu a voz conhecida de sua nova companheira na-gen, enquanto tinha o alto de sua cabeça acariciada por Xadrizar.

 

- Calma meu amigo... Calma.... Eu vou ficar bem... - ainda um pouco confuso pelo despertar incomum, o guerreiro afastou gentilmente sua montaria. - Eu... Consegui?

 

- Veja por si mesmo...

 

Thar'wonella deu um passo para o lado, deixando que o outro percebesse o abrigo temporário que ela havia erguido para eles, que ele descobriria mais tarde, foi onde ficaram por quase dois dias seguidos.

 

Ele se ergueu, o corpo todo gritando de dor, tentando forçá-lo a permanecer deitado, mas ele ignorou tudo e caminhou até onde estava o monstro que um dia fora seu irmão e que agora estava preso em meio a dezenas de formações de gelo.

 

Era lindo apesar de tudo.

 

- E agora?

 

- O protocolo da Ordem de Aktron diz que todo K'ehtrak que encontrar, derrotar, capturar ou matar um Thon’hatri, deve levá-lo para a sede na capital para estudos... – ele ditava as regras de modo automático, nascido dos anos de estudo, depois suspirou, passou a mão pelos ferimentos e acariciou o tecido que trazia ao redor do pescoço, o último presente que recebera da mãe, antes dela falecer. - Mas ele é meu irmão, portanto...

 

Kamel’dak estendeu a mão esquerda e tocou com a ponta de seus três dedos no gelo.

 

- Descanse em paz... Meu amado irmão... Que seu caminho final seja cheio de honra e glória K'ehtrak Dak'tallum!

 

No instante seguinte foi como se ocorresse uma explosão silenciosa e tanto o gelo como o corpo do Thon’hatri, se desfizeram em uma poeira brilhante, que foi levada pelo vento até a Rhenzac, desaparecendo por detrás da barreira de ventos.

 

- Nós voltaremos a nos ver... Um dia...

 

Só então ele se voltou para Xadrizar e Thar'wonella.

 

- Vai voltar para a Ordem? - ela olhou para a montanha, estavam a poucos metros da base dela. - Ou... Sei lá... Não quer subir já e ver se é verdade que ali tem a cura?

 

- Acho... - ele se deteve por um instante, tendo a impressão de ter visto os rostos de seus familiares mortos em meio aos ventos da Rhenzac, sorriu e, sentindo o típico desconforto vindo da proximidade com a montanha lhe atacando, terminou de falar. - Acho que não é o meu momento... Ainda... Tenho muito o que fazer e muito o que ver... E não seria ruim ser acompanhado por uma poderosa Maahne...

 

- Quer que eu vá com você? E o que vem a seguir... Vai chamar um Utbruk também, talvez alguns dos estrangeiros esquisitos de outras partes de Sinktra e formar um exército de várias espécies para enfrentar o mal? Ou seja, quer fazer o impossível?

 

- Quem sabe? - Kamel’dak já estava acomodado nas costas de Xadrizar, quando estendeu um sorriso para a na-gen, antes de fazer o visor do seu capacete se fechar. - Seria uma ótima aventura!

 

A frase acabou ecoando pelo ar, conforme eles começaram a correr para longe da montanha Duk’ja.

 

Poucos instantes depois Thar'wonella os alcançava.

Fim. 

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