sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Lendas de Sinktra- Crônica#3 Laços da adversidade.

 



As rótulas ardiam, ele nunca gostou de se ajoelhar, exatamente por causa das várias vezes em que ele fora colocado naquela posição, desde criança, até a idade adulta.

 

      Por isso o ardor vindo das pernas encontrava um sentimento igual nascendo de suas costas, onde ficava o vathi, seu órgão principal, espalhando pelo corpo um jorro de hormônios que o preparavam para o combate que se avizinhava.

 

      - Bem, bem, bem... Foi difícil de te rastrear meu caro Roar'ilthar, mas cá entre nós... Vir para Ahsurdira e, ao invés de se enfiar num buraco qualquer, longe de tudo e de todos, que seria o mais inteligente, você me abre um abrigo para pequenos be’sui e outros órfãos... É sério isso? Você realmente merece levar um tiro dessa sua belezinha...

 

      O prisioneiro soltou um longo suspiro de impaciência, começando a se levantar, de fato já não aguentava mais ficar naquela posição, revelando ser, ao menos, um palmo mais alto do que o caçador que continuava a mantê-lo sob a mira de sua própria arma.

 

      Roar’ilthar possuía pele azul escura, cabelos em tons de lilás, sobre o corpo musculoso, os konras de seu tecido formavam uma armadura corporal que deixava à mostra seus pés, os braços e a cabeça, criando também uma jaqueta curta, além de um cinto que trazia no flanco esquerdo uma proteção metálica sobre a área de um antigo ferimento.

 

      - Vamos facilitar tudo então... - Ele cobriu a distância entre ele e o líder dos caçadores com poucos passos, num movimento rápido, agarrou a mão do outro e colocou o cano da arma em sua testa. - Não estou com tempo ou paciência para esse tipo de conversa... Se vai me matar, mate logo... Vamos!

 

      Um instante de hesitação.

 

      Foi tudo o que Roar’ilthar precisava.

 

      Ele segurou a mão do caçador e o fez apertar o gatilho surpreendendo e atraindo a atenção de todos os demais caçadores, que até então mantinham as crianças do abrigo sob a mira de suas armas.

     

      Roar’ilthar torceu o pulso daquele que o ameaçava até ouvir os ossos quebrando, em seguida atingiu um de seus joelhos com um chute certeiro, deixando-o com a rotação invertida n perna e caído no chão, indefeso e rolando de dor.

 

      Com um esgar de dor no rosto ele recuperou sua arma, encaixou o dedo no gatilho e foi como se ela despertasse, o cano se estendeu, e, entre as secções, um brilho energético surgiu, formando de imediato uma pequena esfera de energia diante do orifício de saída.

 

      Com precisão e velocidade absurdas, ele realizou disparos certeiros bem entre os olhos de todos os demais caçadores, cujas cabeças estremeceram violentamente.

 

      Logo em seguida todos estavam no chão, sangue escorrendo farto de todos os orifícios de suas cabeças.

 

      O perigo passara.

 

      - Vocês são mesmo muito corajosos pequeninos... - ele então reuniu as crianças ao seu redor e os encaminhou para seus quartos. - Vão arrumar seus leitos enquanto eu... Ajeito essa bagunça.

 

      Assim que ficou sozinho, ele soltou um profundo suspiro de cansaço e depois encarou sua arma.

 

      - É... Nunca vou ter paz por sua causa...

 

      No instante seguinte ele se concentrou e fez a arma mudar de forma até se tornar algo como uma pequena caixa, que ele acoplou na lateral do cinto e então se colocou a limpar a sujeira.

 

      De repente um gemido o fez se aproximar do líder dos caçadores.

 

      - Ora veja só... Eu estava até me esquecendo de você... - ele se aproximou do inimigo caído e segurou-o pelas laterais da cabeça, aproximando o rosto do olho superior direito do outro. - Esse olho diferente aqui é uma câmera né? - ele então trouxe a cabeça do caçador para perto, num ângulo que pegasse bem seu rosto. -  Aposto que você está vendo tudo velho... Saiba que cansei de fugir... Se quiser mande quantos assassinos você conseguir, ou venha você mesmo... Se tiver coragem... E vamos resolver isso de uma vez por todas... Venha e encontre o seu fim...

 

      - E-eu... Vou te matar... - o caçador ahsurdirai tentava se manter corajoso e desafiador, tentando ignorar a dor dos seus ferimentos, e conseguir tempo para pensar em como escapar daquela situação. -  Seu zarayuler... Vou matar você e todos esses monstrinhos que você tanto ama e...

 

      Em outro movimento mais rápido do que a visão era capaz de acompanhar, Roar’ilthar sacou sua arma e assim como os demais inimigos, o caçador se calou conforme a esfera de energia penetrou em sua cabeça, explodindo lá dentro, liquefazendo todo o interior do seu crânio.

 

      Na manhã seguinte, conforme caía dos céus alguns pequenos flocos de neve, que indicavam o início do período de grande frio, o Lakne que, em Ahsurdira, significava que as temperaturas, já frias o ano inteiro, cairiam ainda mais pelos próximos tempos.

 

      - Pelo visto a noite foi animada... Apesar do seu costume de ver o nascer de Tanee, sua expressão está horrível...

 

      - Um belo Twira para você também, Gennew... Vejo que não se esforçou para chegar cedo...

 

      - Meu leito estava aquecido e com uma ótima companhia... Não que você saiba o que é isso...

 

      - Algum dia você vai me convencer a experimentar uma Ahsurdirai... Mas não será hoje... Precisamos conversar.

 

      Gennew conheceu o borg-zon, como eram chamados os forasteiros em Ahsurdira, e seus protegidos a pouco mais de um ano, se encantou pelos pequeninos, ajudando-os a cuidar do orfanato, construído na vila de Richniel, localizada em Kaiduk, a menor das ilhas próximas de Taljovalac e sabia quando devia parar os flertes e brincadeiras e falar com o amigo de forma mais séria, o que ocorreu em raras ocasiões.

 

      Aquela, com certeza, era uma dessas.

 

      Até aquela manhã ela nunca havia questionado o novo amigo sobre sua história, afinal de contas, órfãos e refugiados quase nunca tinham uma vida tranquila e, na maioria das vezes, não queriam falar sobre, por isso ela esperou pelo momento mais adequado.

 

      Que finalmente havia chegado.

 

      - Eu tinha a impressão de que Tanee brilhava sempre nos céus de minha região, desde o primeiro dia que tive consciência de mim mesmo e, segundo minha família, assim que tive firmeza nos pés, toda manhã era necessário que minha mãe fosse até o espaço fora de nossa casa para me pegar, pois eu lá estava, bracinhos abertos queixo erguido, curtindo aquele calor delicioso na pele.

 

      “Por isso quando chegaram na vila os caçadores de be'suis, como são chamados os escravos em minha terra, custei a aceitar tal realidade, tamanho era o meu gosto pela liberdade, ainda que meus pais insistissem para que eu não me apegasse demais a esse conceito.

 

      Ainda assim, como todo filho faz, eu não dei ouvidos, é claro.

 

      Sempre que podia eu corria para o Wallai, um labirinto natural de pedras que ficava próximo da vila de Gallas, brincava lá por horas, muitas vezes voltando apenas quando meu pai ia me buscar debaixo de tapas na cabeça, me mandando fazer alguma tarefa, ao invés de ficar vadiando.

 

      Em Jektro’kouora a Gawon, ou escravidão, é algo comum, por mais que o conselho Tarryslain esteja se esforçando para eliminar tal prática, ainda é muito difundida por toda Sinktra, com raras exceções, como aqui em Ahsurdira.

 

      Às vezes eu só acho que demos azar de ser o continente mais atrasado tecnologicamente do mundo e assim nossos líderes se abriram todos para a invasão e posterior domínio do nosso povo.

 

      Eu mal tinha atingido os dez Korh quando nossa vila foi encontrada e dominada.

 

      Os Kzerfot, como chamamos os caçadores de be'suis, chegaram como se fossem os donos do lugar, dando tapas nas faces de qualquer um que não saísse logo da sua frente, se curvando e pedindo clemência.

 

      Nem mesmo os guerreiros da vila ousavam erguer suas mãos, por medo do que poderia acontecer com seus familiares, por isso em pouco tempo todos estávamos perfilados, com o braço esquerdo estendido, aguardando o maldito Ramak.

 

      Isso mesmo, essa... Coisa... Que trago aqui no pulso...

 

      Minha família foi levada e todos nos perdemos, sendo espalhados e comprados por diversos Kaizuc, os mestres escravocratas.

 

      Eu fui levado por um velho que dizia ser um Tackohr, um dos grandes mestres caçadores e, no inicio, ele me tratou como um filho, me alimentou bem, me incentivou a estudar, me instruiu nas artes de usar toda e qualquer tipo de arma e a treinar meu corpo até atingir o auge da forma física.

 

      Ele disse que seu nome era Zolmrris e me transformou num Rheengal, um guerreiro mestre em praticamente todo tipo de luta, armada ou não.

 

      Desse modo os anos passaram, em treinamento constante, com o velho me tratando como um filho, sempre me dizendo o quanto eu o deixava orgulhoso a cada vitória, a cada etapa vencida de seu rigoroso programa de treinamento.

 

      Eu não o questionava, pelo contrário, absorvia ávido, tudo o que ele tinha para oferecer, eu já imaginava como usar tudo aquilo para escapar e nunca mais me tornar um be'sui.

 

      Com o tempo, confesso com vergonha, que passei a me afeiçoar ao velho Zol, como ele me pediu para chamá-lo, provavelmente porque, ao contrário do meu pai, que toda a minha infância tentava me preparar para a vida de be'sui, ele parecia estar me guiando para a vida incrível de um guerreiro...

 

      Pelo menos até poucos korhs atrás...

 

      Quando atingi a maturidade ele apareceu com um novo be'sui, um pequeno jektro que, na época, mal devia ter dois Khor, tão pequeno que nem havia recebido um ramak ainda.

 

      “Não tenho mais nada para te ensinar...   “ ele me disse pouco tempo depois de acolher Rysne “Está na hora de encerrar seu ciclo comigo...”

 

      No instante seguinte ele puxou a Makpel’rann e disparou contra mim.”

 

      - Eu escapei por pouco... - nesse momento Roar’ilthar sacou sua arma, mostrando-a para a amiga. - Desviei no último instante e corri para o lado de fora da residência dele... Só então acabei entendendo que não era um espaço de treinos... Na verdade era um campo de caça...

 

      - Por Wathval...

 

      - Acredite... Naquele lugar os deuses não tem espaço...

 

      - Mas como vocês conseguiram escapar?

 

      Roar’ilthar deu um sorriso triste e suspirou profundamente para, enquanto olhava o nascer do sol, retomar sua narrativa.

 

      - Usei tudo o que ele me ensinou, mas, claro, o maldito sempre estava um passo à minha frente, me machuquei muito, estava pronto para desistir, mas ainda tinha algo dentro de mim, não sei explicar, acho que a raiva por ter me iludindo com a forma com que ele me tratava... No fim... Fui imprevisível e me adaptei... Um dos locais onde treinávamos era uma caverna, eu o atraí até lá e o peguei numa armadilha... Fiz o teto desabar e ele foi parcialmente soterrado... A Makpel’rann caiu perto de mim e, apesar dos ferimentos, eu consegui segurá-la e, naquele momento criou-se um vínculo entre nós...

 

      - Como assim?

 

      Em resposta Roar’ilthar ergueu a arma que ainda estava em sua mão direita e, após alguns instantes de concentração, ela se alterou, o cano voltou a se dividir e, entre cada secção, um brilho avermelhado surgia.

 

      - As Makpel’rann, pelo pouco que consegui descobrir, são armas amaldiçoadas que escolhem os indivíduos que vão empunhá-las, trocando ou não de usuários até a chegada iminente do fim do mundo, quando todos aqueles que foram escolhidos, se enfrentarão...

 

      - Isso é tão fantástico... - Gennew estava fascinada, ainda que a história fosse horrível, antes de conhecer os jektro, como eram chamados os nativos de Jektro’kouora, e as demais crianças do Pakma, o nome que deram para o orfanato, ela vivia uma vida extremamente mundana e comum. - Mas espera aí... Como vocês escaparam? Quer dizer, depois que você o matou né?

 

      - Eu não o matei... Antes que eu entendesse o que estava acontecendo com essa arma, o teto da caverna cedeu e fomos separados... Eu voltei para a casa principal, peguei tudo o que eu tinha, mais o que havia de valor à mão e, claro, não podia deixar o pequeno Jadan para trás... Desde então temos fugido, descobrindo tempos depois que o Zolmrris havia sobrevivido, mas por causa dos severos ferimentos, boa parte do corpo foi substituída por peças robóticas e ele tem nos caçado desde então... Já passamos por tantos lugares... Quando chegamos a Ahsurdira encontramos um guerreiro que nos ajudou a chegar até aqui, em Richniel, onde nos ajudou a erguer essa casa, num terreno de sua família, que ele nos doou...

 

      - Foi quando nos conhecemos né? - Gennew lembrava com carinho daquele dia. - Eu estava sem rumo na vida, completamente perdida e entregue ao vício em Ahgor, quando você me resgatou das ruas e me ajudou a encontrar um novo destino... Ajudando às crianças órfãs a ter uma noção de família e lar... Nunca vou conseguir agradecer o suficiente... Nem minha família... Aliás, minha mãe fez um monte de doces e me obrigou a trazer para vocês... Ah! E perguntou quando vocês vão lá visitá-la de novo...

 

      - Muito bom você ter falado isso...

 

      Não muito longe dali, num porto da cidade de Talkovalac, dois passageiros embarcavam numa aeronave particular, alugada apenas para uma viagem de ida até a ilha de Kaiduc.

 

      - Eu lhe agradeço muito por aceitar me acompanhar nessa empreitada... Com certeza ter o auxílio de um K'ehtrak, será decisivo para que eu possa recuperar o que me foi levado...

 

      O idoso jektro apresentava um avançado corpo cibernético, mas que soltava chiados e ranger de maquinário conforme ele se movimentava e parecia que ele era incapaz de se comunicar sem erguer as mãos e gesticular de forma exagerada, quase teatral.

 

      - Não se preocupe senhor Zolmrris... Assim que chegarmos ao local, onde o senhor disse que tal vilão estará, resolverei tudo da melhor maneira possível... Sem violência, se for possível, é claro...

 

      - Sim, sim, sim... Mas adianto que esse be'sui maldito é tudo, menos pacífico... Eu o tirei de uma família abusiva, o tratei muito mais como um filho do que como um be'sui, passei anos treinando-o para que nunca se tornasse uma vítima novamente e como ele me agradeceu?

 

      Ao se exaltar o velho acabara tendo um acesos de tosse, bebendo um líquido que mantinha num compartimento secreto nas costas da mão direita, respirando com dificuldade, levando alguns instantes para se recuperar, falando com voz embargada, como se fosse um esforço enorme continuar sua história.

 

      Parecia impossível fazê-lo se calar.

 

      - Me atacou, deixou-me para morrer soterrado... Sobrevivi por muito pouco, não sem antes perder as duas pernas, esmagadas... Foi minha primeira melhoria sabia? - ele ergueu uma das pernas e, ao dobrar o joelho, nova sequencia de rangidos se fizeram ouvir, conforme eles se sentavam. - Minha sorte é que, por conta da imensa fortuna de minha família, eu pude ter acesso aos melhores procedimentos médicos...

 

      - Sim... Vê-se que o senhor não é alguém que se deixa abater por qualquer que seja a dificuldade que surja em seu caminho...

 

      - Não meu amigo... Não sou mesmo... - o velho deu soquinhos ritmados na barriga do outro, o tipo de cumprimento que se estende apenas a amigos de longa data e, percebendo que sua tentativa de forçar uma intimidade falhou miseravelmente, ele pigarreou e continuou. - Aquele filho de uma garifak ainda sequestrou outra criança que eu havia decidido trazer para casa, para proteger de uma vida repleta de desgraças, claro... Levou o pequeno Jadan, totalmente contra sua vontade, é claro...

 

      - É claro... Mas, novamente, não se preocupe senhor Zolmrris... Em breve chegaremos em Kaiduc e tudo se resolverá... Por enquanto é melhor descansarmos...

 

      Dando o assunto como encerrado o guerreiro se recostou em sua poltrona e, virando o rosto na direção contrária do colega de voo, se colocou a simular um sono profundo.

 

      Ao perder o interlocutor o velho Zolmrris se calou, cruzou as mãos sobre o peito e se recostou sua poltrona.

 

      Ele precisaria de descanso para o que estava por vir.

 

      - Isso não é justo! Eu não quero ir...

 

      Diante do orfanato, assim que Gennew e Roar’ilthar conseguiram juntar as crianças em um transporte, onde a ahsurdiai levaria as crianças para longe dali.

 

      - Jadan...

 

      - Não. A gente sempre segue junto! - no alto de seus 8 korhs, o pequeno jektro mantinha o rosto erguido em desafio às ordens que estava recebendo. - Foi sempre assim! Você não pode me deixar de fora justo agora!

 

      O guerreiro se ajoelhou diante do garoto, cujos cantos dos olhos já se encontravam marejados, ficando face a face com ele, mantendo as mão em seus ombros.

 

      - Olha pequeno... Desde que eu te peguei nos braços pela primeira vez, eu não tive duvida alguma de que eu precisava te tirar daquele lugar amaldiçoado e evitar que você tivesse um destino parecido com o meu... Sei que passamos por situações extremamente perigosas, das quais escapamos por pouco, mas eu só te mantive do meu lado pois não havia outra opção... O que não é o caso agora...

 

      Ele voltou o olhar na direção de Gennew, que respondeu com um sorriso triste, misto de medo e preocupação, tentando passar uma segurança que ela, definitivamente, não estava sentindo.

 

      - Preciso que você cuide deles... - Com cuidado e carinho Roar’ilthar ergueu o garoto e o colocou na traseira do veículo. - Se aquele garskar do Zolmrris for atrás deles, alguém precisa estar lá para protegê-los... Posso contar com você?

 

      Jadan ficou de cara fechada e com os bracinhos cruzados diante do peito, enquanto se mantinha sentado, conforme o veículo ia sendo ligado.

 

      - Me avise quando chegarem na casa de sua mãe... - Roar’ilthar segurou gentilmente na mão de sua amiga. - Assim que tudo terminar eu entro em contato...

 

      - Nem ouse deixar acontecer algo que te impeça certo?

 

      - Claro, vai tudo correr muito bem... Agora vai lá.

 

      Assim que sua família sumiu ao longe, não restou mais nada para o jektro fazer, a não ser esperar.

 

      Uma espera breve, no entanto.

 

      - Olha só a empáfia desse grur’atho... - pouco depois da partida das crianças e sua guardiã, sobre um morro próximo do orfanato, o velho Zolmrris se mantinha precariamente de pé, apoiado em uma bengala que saía de seu antebraço direito. - Ele sabia que, depois do mercenários que eu mandei, eu viria, como sempre, de peito aberto, primeiro para dialogar, pedir para que ele voltasse à razão... Sempre inútil... Agora a arrogância atingiu um novo patamar e lá está, sentado como se fosse invencível... Mas ele não contava com você meu amigo... Como pretende agir? Vai atacar a distância com as suas... Como chamam? Ronns? As lendárias armas disparadoras de energia dos K'ehtrak... Ou talvez você use aquela de lâminas que dizem que cortam tudo...

 

      - Na verdade... Acho que vou falar com ele primeiro...

 

      - Espere! - ao ver o guerreiro se encaminhar tranquilamente na direção do seu alvo, Zolmrris tentou contê-lo. - Não ouviu tudo o que eu disse? Ele é um perigo! Um monstro!

 

      - Fique tranquilo... Eu sei uma ou outra coisa sobre monstros...

 

      Roar’ilthar se ergueu, deu alguns passos para se afastar da entrada da sede do orfanato e logo estava a poucos passos do K'ehtrak, olhos fixos nos dele.

 

      - Sabe... Eu sempre me perco nesse lance de encarar vocês... Nunca sei se foco nos maiores ou nos menorzinhos aí encima...

 

      - É algo comum quando um pobre coitado inferior, de apenas, dois olhos, chega em nossas terras...

 

      - Nem todos os valpaks tem problema com suas mulheres a ponto de precisar evoluir até ter mais olhos para vigiá-las...

 

      - Roar’ilthar...

 

      - Kamel’dak...

 

      Cada um deu um passo para frente, fecharam seus punhos, ergueram os braços, jogaram-nos para frente e acertaram os pulsos um do outro, mantendo uma pressão enquanto começavam a sorrir.

 

      - A quanto tempo amigo! Ficamos te esperando no último genpare de Oyapak. - o jektro se referia ao feriado mundial que celebrava o fim da mais recente guerra, ocorrida a alguns khors atrás. - As crianças ficaram muito decepcionadas...

 

      - Eu fui chamado para uma situação na região dos Lagos Adaxoya e fiquei preso lá por alguns shanzorgs... Foi bem complicado... - o guerreiro deu uma boa olhada ao redor, percebendo que a casa estava inteira. - Pelo visto meu aviso sobre os mercenários chegou a tempo...

 

      - Ah sim! Ajudou muito, não que eu fosse precisar, pois os coitados eram tão incompetentes que acabariam morrendo um tropeçando no outro... - eles então se colocaram lado a lado, de frente para aquele que permanecia no alto do morro. - E o velho Zolmrris? Aposto que ele quase te matou de tédio com as histórias dele...

 

      - Eu usei a antiga técnica de fingir que estou dormindo... Mas ainda assim... Foi um acaso bem vindo o fato de eu estar na capital quando ele chegou procurando por “justiça”... Só não consegui eliminar a ameaça dos mercenários antes de chegarem a vocês...

 

      - Sem problema, ao menos você me avisou e pude me preparar para eles... Agora...

 

      Ao perceber o engodo, Zolmrris cerrou os punhos, que tremiam sutilmente, afinal de contas, ele dizia para si mesmo, um verdadeiro caçador jamais deixava suas emoções interferirem.

 

      Ele respirou fundo, acionou uma série de comandos na manopla de sua mão direita, fazendo sua bengala se retrair, empertigando o corpo e, tendo a certeza de que seu caminhar traduziria sua imponência, ele seguiu na direção dos guerreiros que o haviam iludido.

 

      - Alguma chance dele, de repente, simplesmente aceitar que não pode nos enfrentar e ir embora em paz?

 

      - Kamel’dak, você foi o primeiro amigo que fizemos assim que pisamos nesse bloco de gelo... Mas acredite quando eu digo... Esse velho buricare é capaz de muitas coisas... Desistir não é uma delas...

 

      - Então... - logo o caçador estava a poucos metros de distância da dupla, os braços cruzados atrás do corpo, agora a voz soava vigorosa, uma vez que ele não tentava disfarçá-la como a de um velho frágil. - Deve estar muito orgulhoso por ter me engabelado, seu be’sui sujo... Filho de uma carandela, seu...

 

      Ele manteve a torrente de impropérios por alguns minutos, chamando totalmente a atenção dos guerreiros, que não perceberam os aparelhos que iam surgindo de meio à neve, ao redor do orfanato que, em silêncio, alçaram voo e se aproximavam, revelando disparadores laterais.

 

      - Roar’ilthar! Cuidado!

 

      O que se seguiu foi uma sequencia aterradoramente rápida de eventos.

 

      De dentro da casa saia um esbaforido Jadan que, empunhando uma arma improvisada, disparou pequenas bolinhas metálicas contra um dos droides voadores, que perdeu o controle e se esborrachou contra um amontoado de pedras próximo.

 

      Roar’ilthar acionou a Makpel’rann, que vibrou de empolgação, antevendo a violência que se avizinhava, realizando disparos rápidos, derrubando mais de cinco atacantes no primeiro ataque, conforme se desviava dos tiros inimigos.

 

      Kamel’dak fez surgir suas ronns e como os raios disparados possuiam uma maior extensão, conseguia destruir mais droides, mas ainda haviam muitos pelo ar, fazendo com que ele e seu companheiro ficassem de costas um para o outro, para protegerem suas retaguardas.

 

      - Jadan! Volta para dentro de casa!

 

      - Não! Eu vou lutar ao seu lado... Pai!

 

      Assim que o pequeno gritou, um dos droides atingiu-o na área do abdômen e então ele começou a cair para trás.

 

      Roar’ilthar e Kamel       ‘dak, mais uma vez, se moveram mais rápido do que olhos comuns poderiam registrar e logo o jektro amparava aquele que ele, finalmente, percebia como seu filho, o ahsurdirai ficava diante deles, destruindo mais inimigos.

 

      Os que restavam interromperam o ataque e começaram a voar ao redor de Zolmrris que, exibindo um imenso sorriso e agora usando os comandos de sua manopla à vista de seus inimigos, se aproximava.

 

      - Hum... Pelo visto esse período longe de mim não fez desse pequeno be’sui, uma boa caça...

 

      - Fica comigo garoto... - as mãos de Roar’ilthar ia ficando sujas do sangue de seu .protegido, não, de seu filho. - Por favor... Resiste...

 

      Com o vilão tendo contido seu ataque, para saborear a dor e desespero de seus inimigos, Kamel’dak se ajoelhou ao lado da criança ferida.

 

      - Eu posso salvá-lo... - após um rápido exame, o K'ehtrak, começou a pegar o pequeno Jadan em seus braços, com o máximo de delicadeza possível. - Tenho várias ervas na-gen que podem fechar os ferimentos e eu usarei meus poderes de gelo para conter o sangramento... Mas vou precisar de tempo e...

 

      - Entra.

 

      - Roar’ilthar...

 

      - Entra... - o jektro tocou a fronte da crianta com um de seus dedos, sinal claro de que estava entregando ao amigo o que ele tinha de mais caro no mundo, depois, sem nem pensar em limpar o sangue de suas mãos, ele se ergueu, deu alguns passos na direção de seu inimigo e concluiu sem se voltar. - Se preocupa em salvar o Jadan... Desse nurguer, cuido eu...

 

      Kamil’dak então correu para dentro da casa.

 

      O velho caçador permanecia calmo e controlado, plácido, com a certeza de suas provocações haviam encontrado campo fértil e que agora seu inimigo vinha com a razão embotada pela raiva.

 

      Sem alguém para cuidar da retaguarda, foi fácil para Zolmrris acionar dois drones que se erguiam silenciosamente atrás de Roar’ilthar, as armas se acionando e mirando no alvo.

 

      Antes que as máquinas efetuassem seus disparos, no entanto, ambas explodiram, caindo pesadamente no chão, sendo tomadas por chamas.

 

      O guerreiro jektro empunhava sua arma, cujo cano ainda fumegava por causa dos disparos que ele deu, sem nem mesmo olhar para trás, o olhar crispado de raiva.

 

        - Ainda vai tentar mais algum ataque covarde ou vamos encerrar isso como guerreiros honrados? Como um Tackohr e seu Rheengal?

 

      - Guerreiro?Rheengal? - o velho soltou uma risada vigorosa. - Você é somente um be’sui imundo que, por ter sido protegido por grande parte da vida acredita ser alguém... Mas posso lhe garantir... Você não é nada... Nada além de uma irritante caça que escapou por tempo demais...

 

      - Claro... E quem vai me caçar? Você? Ou vai continuar a se esconder atrás dessas máquinas inúteis? Talvez vai fugir e tentar contratar mais mercenários para fazer o seu “trabalho”?

 

     - Você realmente acha que eu contaria com outros, me privando do prazer da caçada? - ele levou uma das mãos para sua manopla, acionando vários comandos e em seguida abrindo os braços ao máximo, enquanto erguia os olhos para os céus. - Venham minhas crianças!

 

      No instante seguinte o chão tremeu levemente e então vários locais ao redor do orfanato explodiram, dando passagem para algo que lembrava rochas disformes, que voaram na direção do velho Zolmrris, que permanecia parado, aguardando pelo impacto.

 

      Não esperou muito, pois logo seu corpo começou a ser violentamente atingido e coberto pelos destroços, resultando num monte amorfo, que pulsou levemente durante pouco tempo e logo começou a se mover, assumindo uma nova e monstruosa forma.

 

      O que se ergueu daquele amontoado de metal retorcido renderia pesadelos a qualquer ser vivo menos resiliente.

 

      Aquilo mantinha o corpo encurvado, braços imensos e musculosos terminavam em garras de três dedos cada, as pernas tinham dobras a mais que o normal, e a cabeça do velho pareceu ter sido engolida por um tipo de capacete, ou um cabeça de monstro, que apresentava dentes distorcidos, projetados para fora.

 

      A nova forma de Zolmrris respirava pausada e ruidosamente, estava se acostumando à nova configuração de seu corpo, seu último pensamento coerente fora de que havia valido a pena todos os sacrifícios que havia feito para conseguir aquele poder.

 

      Ele urrou de forma animalesca, deixando de lado os últimos resquícios de consciência, antes de sair em desabalada correria na direção de seu alvo.

 

      Agora seu mundo, sua mente, sua alma, todo o seu ser, ardia em chamas internas que pareciam prestes a consumi-lo e a única forma de encerrar aquela dor, era destruir seu inimigo.

 

      Pego de surpresa pela bizarra transformação, Roar’ilthar mal teve tempo de erguer os braços cruzados diante do corpo para se defender do primeiro ataque, que o jogou longe, terminando por acertar com força em uma das paredes do orfanato.

 

      O impacto fez o ar de seus pulmões saltarem para fora e somente a preocupação em manter o combate longe de onde Kamel’dak cuidava de Jadan, foi capaz de fazer o guerreiro se erguer e correr para longe, atraindo para si toda a atenção do monstro.

 

      Ele disparou a Makpel’rann seguidas vezes, mas em algum lugar do inconsciente do monstro, Zolmrris se lembrava dos perigos da arma amaldiçoada, conseguindo assim evitar as esferas de energia, ao passo que se aproximava perigosamente de sua presa.

 

      - Você ainda está aí Zolmrris? - outra finta, com o guerreiro sentindo uma das garras do inimigo resvalando em seu cabelo. - Ou percebeu que não era páreo para mim e aceitou virar um animal descerebrado, que caça apenas por instinto, sem usar todas aquelas habilidades incríveis sobre as quais você tanto falava?

 

      O monstro parou de se mover repentinamente, a cabeça fazia movimentos curtos e rápidos, se voltando para cima, pela primeira vez parecendo perder o foco no inimigo.

 

      Roar’ilthar não deixou a oportunidade passar, conseguindo acertar o ombro do monstro com uma das esferas de energia de sua arma, que assim que penetrou pela armadura, fez com que o monstro raspasse desesperado pelo pequeno orifício que havia surgido, tentando alcançá-la.

 

      Não adiantou nada, pois no instante seguinte, parte do flanco direito do monstro explodiu, fazendo-o cair de joelhos, levando sua outra imensa mão até o ferimento.

 

      Roar’ilthar aproveitou outra vez e efetuou vários disparos, as esferas de energia atingiram vários pontos da incomum armadura.

 

      O corpanzil foi destroçado por dezenas de pequenas explosões, espalhando os membros pelo terreno diante do orfanato.

 

      “Vai dar trabalho para limpar tudo isso..” com certo desânimo, já pensando na futura tarefa, Roar’ilthar se colocou a caminhar na direção do orfanato, o coração dividido entre a esperança de ver aquele que ele considerava um filho salvo, em contraste com o medo de perdê-lo para sempre.

 

      - Fala sério...

 

      O som de metal se contorcendo chamou a atenção dele, que se voltou a tempo de ver os destroços do monstro se contorcendo, seguindo de encontro um para com o outro, formando outra vez um monte amorfo que permaneceu parado por meros instantes.

 

      Com um urro bestial, o monstro se reergueu, sem nenhum sinal de que fora sequer atingido, muito menos de ter explodido em pedaços, partindo novamente em carga contra seu inimigo.

 

      Pego de surpresa, Roar’ilthar só teve tempo de correr para longe da casa, antes de ser agarrado pela cintura e, sem conseguir se soltar, ser arrastado por metros, até que ele e seu inimigo, se chocaram contra a lateral de um morro próximo.

 

      O monstro deu alguns passos para trás, deixando seu inimigo cair no chão, completamente atordoado e, sem dar uma chance para que ele se recuperasse, o agarrou pelo pescoço, trazendo-o para perto de seu rosto.

 

      - Seu... Hálito... Fede...

 

      Os dentes disformes pareceram formar um sorriso e foram se abrindo, deixando clara sua pretensão, quando, sem aviso algum, ele sentiu algo frio tocando a parte de baixo de seu queixo.

 

      No instante seguinte a cabeça do monstro explodia, devido a um tiro certeiro da arma amaldiçoada, enquanto Roar’ilthar era jogado para longe, pego pela onda de choque, caindo repleto de pequenos cortes por toda a extensão de sua pele.

 

      Com um jorro de sangue vindo da base do pescoço do monstro ele tombou para trás e o jektro não desperdiçou a chance, efetuando vários disparos contra o que havia restado de seu inimigo.

 

      Arfando e respirando com dificuldade, ele tinha certeza de que tinha quebrado algo dentro dele, Roar’ilthar mantinha a arma apontada para o que restara do inimigo, conforme tentava pressionar, com a outra mão, a área ferida.

 

      Novamente reduzido a uma pilha de metal destruído, sem aviso algum, um braço surgiu, disparando um soco certeiro no peito do jektro, fazendo-o bater de costas no mesmo local que havia acertado o morro anteriormente, onde ficou caído sentado, sem poder fazer nada, conforme os destroços se reuniam outra vez.

 

      O monstro, já totalmente recuperado outra vez, agarrou Roar’ilthar pelo pescoço e o jogou perto da sede do orfanato, em algum lugar ainda devia borbulhar o espírito sádico do velho Zolmrris, pois ele pisou no peito do inimigo caído, por longos instantes, para, logo depois de chutá-lo para longe, começar a se dirigir para onde estavam Kamel’dak e Jadan.

 

      Jadan.

 

      O simples pensamento do monstro atacando seu filho bastou para que o guerreiro cerrasse os dentes, após cuspir uma quantidade generosa de sangue e forçasse seu corpo, que só queria desistir e permanecer caído, a se levantar.

 

      Ele olhou demoradamente para a Makpel’rann, depois para seu oponente, que ainda não havia percebido que ele se levantara e com olhos quase se fechando, devido à perda de consciência que se avizinhava, uma decisão foi tomada.

 

      - Pois muito bem... Vamos fazer isso... - Ele ergueu a arma amaldiçoada, que começava a vibrar novamente, como que antevendo o que iria acontecer. - Kezon’kai!

 

      Um brilho intenso tomou o local, chamando a atenção do monstro, que interrompeu seu avanço e se voltou para onde havia deixado seu inimigo caído.

     

     Roar’ilthar estava com o braço ainda erguido, tomado por uma energia avermelhada, no rosto a expressão era um misto de dor e ódio, e conforme ele abaixava o braço, o brilho diminuiu e foi possível perceber que agora o guerreiro não empunhava apenas uma arma.

 

      Um canhão cobria-lhe toda a extensão do antebraço e agora estava apontado para seu inimigo que, tendo ainda um resquício da consciência de Zolmrris, percebeu o perigo diante dele e partiu em uma desesperada corrida na direção do guerreiro.

 

      Para Roar’ilthar foi como fechar sua mão direita e mantê-la assim durante o tempo em que a Makpel’rann, em sua nova e poderosa forma, disparou uma rajada de energia que, conforme avançava, aumentada de tamanho e intensidade, consumindo não apenas o monstro em que Zolmrris havia se tornado, como grande parte do terreno à frente e até mesmo um pequeno morro próximo.

 

      No chão um imenso sulco se abriu, por onde o raio passara, que permaneceu exalando fumaça durante muito tempo após o disparo.

 

      Roar’ilthar caiu sobre um de seus joelhos, a Makpel’rann voltou a sua forma original, plenamente satisfeita com a alma que acabara de consumir, ambos ficando assim por alguns instantes, até o guerreiro, novamente indo além de suas forças, se erguer e seguir o mais rápido que seu corpo judiado era capaz, até chegar no orfanato.

 

      Lá dentro Kamel’dak permanecia sentado e resfolegante, enquanto ao eu lado estava deitado o pequeno Jadan, com várias placas de gelo espalhadas por seu corpo.

 

      Foi como se o tempo também congelasse, até Roar’ilthar finalmente perceber o leve subir e descer do peito do menino, indicando que ele ainda estava vivo.

 

      Só então desabou sentado, diante do outro guerreiro, agradecendo com o olhar, da forma que apenas bons amigos conseguem se cumprimentar.

 

      - Então... Vai ficar para o valek?

 

      Naquela noite quando Gennew voltou com as demais crianças, dando uma bronca imensa em Jadan, por ter conseguido escapar e permanecer no orfanato, todos compartilharam uma lauda refeição, comemorando o fim da perseguição dos dois jektros.

 

      Uma semana se passou e era chegada a hora de se despedir de Kamel’dak.

 

      - Mais uma vez lamento não ter sido de grande ajuda na luta meu amigo...

 

      - Você fez o principal... - Roar’ilthar abraçou forte seu filho, mantendo a mão sobre os ombros de Jadan. - Manteve essa praga aqui viva... Não poderia ter feito mais por mim...

 

      - E o que pretende fazer daqui para frente?

 

      - Na verdade... Acho que posso aproveitar um pouco de paz, a paz que essas criaturinhas me permitirem ter, ao menos, por um tempo... Depois... Quem sabe...

 

      - Se precisar de algo meu amigo...

 

      - Você também... Avise e estarei lá.

 

      Desse modo Kamel’dak foi se afastando e, algum tempo depois dele ter desaparecido na linha do horizonte, Jadan se voltou para seu pai.

 

      - E então... Quando eu vou aprender a usar a Makpel’rann?

 

Fim.

 


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